Mudanças climáticas também afetam o trabalho: audiência pública debate riscos à saúde e à segurança da população trabalhadora
Enchentes, elevação do nível do mar, calor extremo e outros eventos associados à crise climática não afetam apenas o território urbano: também repercutem nas condições em que trabalhadoras e trabalhadores vivem, se deslocam e exercem suas atividades. Com esse objetivo, o Ministério Público do Trabalho em Pernambuco (MPT-PE) realizou, na última segunda-feira (28), a audiência pública “Mudanças climáticas e impactos no meio ambiente do trabalho”, no Auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O encontro reuniu pesquisadoras e pesquisadores, representantes da Secretaria Estadual de Saúde, do Ministério Público Eleitoral (MPE), de secretarias municipais de meio ambiente, saúde, Defesa Civil, entidades sindicais e pessoas interessadas no debate sobre os efeitos da crise climática na saúde, na segurança e nas relações de trabalho.
A audiência foi mediada pela procuradora do Trabalho Adriana Gondim, coordenadora regional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat). A atividade integra o projeto estratégico da Codemat voltado à discussão dos impactos das mudanças climáticas no meio ambiente do trabalho. Para a procuradora, encontros abertos à participação social são fundamentais para fortalecer redes de mobilização, ampliar o diálogo com instituições públicas e abrir caminhos de articulação com os municípios, especialmente diante de fenômenos que exigem planejamento, adaptação e atuação preventiva.
A programação contou com duas palestras, que abordaram diferentes dimensões dos impactos climáticos sobre o território e sobre a população trabalhadora. A primeira exposição, intitulada “Mudanças climáticas e impactos nas relações de trabalho”, foi ministrada pelo professor Jaime Cabral, do Departamento de Engenharia Civil da UFPE. Durante a apresentação, o pesquisador retomou grandes cheias históricas que atingiram o Recife e apresentou simulações digitais de áreas vulneráveis da capital pernambucana diante do aumento do nível do mar.
Entre as regiões analisadas estavam o Riacho Parnamirim e o Canal Derby-Tacaruna. As projeções ajudaram a dimensionar os desafios enfrentados por uma cidade marcada por áreas baixas, rios, canais e ocupações expostas a riscos ambientais. Ao final da exposição, Jaime Cabral destacou a necessidade de estudos voltados à adoção de medidas adaptativas capazes de ampliar a resiliência das áreas mais vulneráveis do Recife.
A segunda palestra foi conduzida por Michelly Pereira, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia do Centro de Biociências da UFPE. A pesquisadora abordou os impactos ambientais associados ao fenômeno do Super El Niño e suas repercussões sobre a vida e as atividades de trabalhadoras e trabalhadores de diferentes categorias. A apresentação também tratou dos efeitos das altas temperaturas sobre o organismo humano, das principais causas das mudanças climáticas e da importância de compreender como as alterações ambientais afetam a saúde da população.
Após as exposições, as pessoas presentes puderam compartilhar experiências, apresentar dúvidas e sugerir caminhos para o enfrentamento do problema. As discussões reforçaram que a crise climática impõe desafios não apenas à proteção ambiental, mas também à prevenção de riscos ocupacionais, à promoção da saúde e à garantia de ambientes de trabalho seguros e saudáveis.
A audiência pública integra as ações do MPT-PE voltadas à construção de estratégias de adaptação e prevenção no meio ambiente do trabalho. A iniciativa busca manter o diálogo com universidades, instituições públicas, entidades sindicais, municípios, empresas e demais setores envolvidos na proteção da saúde e da segurança da população trabalhadora diante dos impactos das mudanças climáticas.
A audiência pública objetivou a aproximação do órgão ministerial com as Autoridades Ambientais, de Saúde e Defesa Civil dos Municípios de Goiana, Itambé, Itapissuma, Itamaracá, Igarassu, Paulista, Olinda, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Sirinhaém, Tamandaré, Barreiros, São José, Rio Formoso, Gameleira, Ribeirão, Camaragibe, São Lourenço da Mata, para o incremento do paradigma de federalismo cooperativo e ambiental e de participação pública, especialmente para a promoção de ações de integração, cooperação e solidariedade para as exigências de planos de contingências, com respostas a desastres e ações de enfrentamento de ricos de desastres climáticos, com atenção aos impactos sobre o trabalhador e a trabalhadora, em suas relações de trabalho e condições de trabalho.