Procuradora do Trabalho recomenda mudança na cultura organizacional para evitar o assédio moral

Comunicação não violenta, escuta ativa e círculos de construção de paz são algumas das recomendações da procuradora do Trabalho Débora Tito, que defende que o assédio moral deve ser combatido a partir da mudança da cultura organizacional. A mensagem foi repassada durante palestra “Lei 14.457/2022 e suas implicações para o enfrentamento ao Assédio Moral Laboral”, ministrada na Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho e Meio Ambiente (SIPATMA) da Companhia Pernambucana de Gás (Corpegás), no último dia 30.

A procuradora do Trabalho Débora Tito ministra palestra na XI SIPATMA da Corpegás
A procuradora do Trabalho Débora Tito ministra palestra na XI SIPATMA da Corpegás

“Quando falamos em assédio moral, precisamos parar de procurar a figura da vítima e do culpado. Muitas vezes o dito algoz está tão adoecido quanto a vítima. Afinal, nem todo mundo é bom ou ruim. Todos têm seus momentos de eventual violência, ainda que seja simbólica. Se mudarmos a cultura organizacional, melhoramos o ambiente sem, necessariamente, focarmos em uma balança maniqueísta”, refletiu a procuradora do Trabalho, que convidou a todos a pensar no assunto sob outro ponto de vista.

Na ocasião, Débora Tito detalhou às proposições da Lei 14.457/2022, que fala, prioritariamente, sobre a empregabilidade de mulheres e como melhorar as questões de gênero no mercado de trabalho, mas também traz mudanças nas medidas de prevenção e de combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no âmbito do Trabalho. Ela também lembrou da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ainda não ratificada pelo Brasil, que inspira a Lei nacional.

Débora Tito também lembrou a importância de prevenir a prática de assédio moral nas empresas, independentemente do recebimento de denúncias ou da existência de casos, adotando práticas de justiça restaurativas com todos os empregados, de forma constante e integrada. “Já existem ferramentas, com comprovação científica, que previnem o assédio moral. As empresas só precisam investir nelas. Transformar uma cultura de violência em uma cultura de paz é trasformador”, concluiu a procuradora.

Evento aconteceu no último dia 30
Evento aconteceu no último dia 30